Segundo Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inovação, no incidente envolvendo a Binance, o roubo ocorreu diretamente das carteiras digitais da corretora. Em contrapartida, no caso do banco francês, foram desviados fundos da instituição, que logo foram convertidos em criptomoedas. Essa conversão facilita a movimentação do dinheiro entre países.
Detalhes do ataque à Binance
A equipe de segurança da Binance está monitorando a trajetória do ataque, que teve início em um computador comprometido, possivelmente o ponto de entrada do incidente. A empresa relatou que identificou outros pontos vulneráveis durante a investigação.
Mark Karpeles, ex-CEO da corretora de bitcoin Mt Gox, comentou que os hackers provavelmente acessaram as chaves privadas de pelo menos duas carteiras da Binance. Ele observou que a corretora parece ter organizado seus ativos em sistemas distintos para minimizar perdas em caso de um ataque, embora um único incidente ainda possa resultar em grandes prejuízos.
A Mt Gox, que operava em Tóquio, fechou suas portas há 12 anos após um roubo de US$ 500 milhões em bitcoin.
A TRM Labs, empresa especializada em análise de blockchain, informou à AFP que há forte evidência de que o ataque à Binance foi executado pelo grupo TraderTraitor, associado à Coreia do Norte, com base em “informações robustas dentro e fora da blockchain”.
O que ocorreu com o banco francês
O Crédit Mutuel Arkéa confirmou que seus sistemas foram invadidos, resultando em transferências para outros bancos. A instituição assegurou que as contas dos clientes não foram comprometidas e que não houve prejuízo para eles. O montante desviado foi convertido em criptomoedas.
Segundo o jornal francês Le Monde, parte dos valores desviados foi enviada ao banco Kraken, que emitiu um alerta sobre transações suspeitas na terça-feira (3), após receber transferências significativas destinadas a uma instituição na Europa.
Embora o Crédit Mutuel Arkéa não tenha confirmado o prejuízo de US$ 133 milhões, conforme reportado pelo jornal Le Télégramme, indicou que os valores envolvidos estavam nessa faixa.
Preocupações com esses ataques
Arthur Igreja ressalta que os hackers estão aumentando sua especialização e que o uso de ferramentas de inteligência artificial pode potencializar as ações desses criminosos. Ainda não está claro, no entanto, se a IA foi aplicada nos ataques à Binance e ao banco francês.
Ele alertou que já existe uma preocupação em relação à utilização de ferramentas e modelos de IA que podem facilitar as ações dos hackers, como descobrir vulnerabilidades, automatizar processos e acelerar a execução de etapas em um ataque.
“Nesse contexto, a IA é uma ferramenta utilizada pelos criminosos, mas isso não significa que a tecnologia tenha realizado o ataque sozinha ou esteja fora de controle”, enfatizou o especialista.
Igreja também destacou que esses crimes podem ocorrer remotamente, de qualquer lugar do mundo, o que é alarmante. “Um hacker na Coreia do Norte, por exemplo, pode atacar a Binance. O ponto crucial é que, onde houver fragilidades, é provável que sejam exploradas”, conclui.





