Tecnologia

Google desmantela rede de 1 milhão de TV boxes infectados; Brasil é o segundo mais impactado

Sudeste Notícias
3 min de leitura
Compartilhar

O Brasil ocupa a segunda posição em número de dispositivos comprometidos, ficando atrás apenas da Malásia, conforme informações da empresa de cibersegurança Trend Micro. Dispositivos infectados foram descobertos em 170 nações, incluindo Iraque, México e Taiwan, que também figuram entre os mais afetados.

Segundo a gigante de tecnologia, a empresa Videostrong, situada em Shenzhen, na China, implementou o software malicioso nos sistemas dos dispositivos de forma deliberada.

A fabricante lucrava ao vender o acesso aos aparelhos infectados para criminosos, que por sua vez utilizavam esses dispositivos para gerar visualizações fraudulentas de anúncios e obter receita publicitária.

Programa burlava os testes do Google

Muitos dos aparelhos comprometidos eram TV boxes, embora o Google também tenha detectado o malware em equipamentos de telemedicina, máquinas de karaokê e dispositivos de sinalização digital.

Fabricantes têm a opção de estabelecer parcerias com o Google para oferecer serviços como o Android TV em seus produtos. O Google esclareceu que essas empresas devem atender a critérios de qualidade e passar por testes de segurança.

Entretanto, a Videostrong utilizou métodos para ocultar o malware e evitar as verificações, permitindo a instalação de código malicioso após a primeira ativação do dispositivo, conforme informou o Google. Essa prática era adotada pela empresa desde o final de 2024.

“Um fabricante de dispositivos que infecta intencionalmente seus usuários com malware quebra a confiança e representa um sério risco para esses usuários”, declarou o Google.

A companhia anunciou que rompeu laços com a Videostrong, impedindo-a de fabricar e comercializar dispositivos Android certificados ou fornecer software a outros fabricantes autorizados. Adicionalmente, o Google revisou seu processo de verificação para assegurar a proteção dos consumidores.

Ameaças às infraestruturas de telecomunicações

A Videostrong foi procurada para comentar, e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) ressaltou que combate a venda de produtos não homologados devido aos riscos que representam para consumidores e redes de telecomunicações.

“O uso de equipamentos não homologados impacta não apenas a qualidade do serviço prestado, mas também representa uma ameaça direta à infraestrutura cibernética do país”, informou Gesiléa Fonseca Teles, superintendente de fiscalização da Anatel.

Ela completou enfatizando a necessidade de vigilância constante, cooperação entre instituições e conscientização sobre a importância da conformidade do hardware conectado para garantir a integridade das redes de telecomunicações.

A Anatel não participou da operação, que envolveu a Agência Nacional de Polícia do Japão e as empresas Lumen, HUMAN Security, Plume, Synthient e TrendAI.

Compartilhar

Leia também