Helô Pinheiro realmente é tudo o que comentam e mais. Contudo, definitivamente, não se submete a tantos procedimentos estéticos, cirurgias plásticas ou rituais mirabolantes para manter sua silhueta esbelta aos 82 anos. “Se querem saber um segredo, tem uma coisa que faço diariamente: ‘Uso óleo Johnson à noite’. (Risos)”, revela em uma conversa especial com a #CapaDigital da Coluna Pedro Permuy deste mês.
O diálogo ocorreu antes de Helô, a icônica Garota de Ipanema, subir ao palco ao lado de Priscila Passamani, Eduarda Buaiz e Mabia Carneiro para discutir longevidade e a chamada “nova terceira idade” no Iate Clube do Espírito Santo.
“Algumas pessoas afirmam que (a terceira idade) é a melhor fase da vida. Tenho amigas que brincam: ‘Que melhor idade é essa em que a gente ri e acaba fazendo xixi na calça, sorri e fica cheia de rugas? (risos)’. Entretanto, acredito que a bagagem que acumulamos ao longo dos anos é incrível e merece ser reconhecida como uma fase extraordinária. E dizem que eu sirvo de inspiração. Se isso é verdade, quero compartilhar meu lado positivo. Sinto-me lisonjeada em saber que as pessoas se inspiram em mim”, reflete.
A vitalidade dela, capaz de deixar muitas jovens na casa dos 20 anos com inveja, ela atribui à sua disposição: “O essencial é ter vontade. Sou super ativa e adoro dançar… Às vezes, após um almoço, já quero levantar e fazer alguma coisa… Sempre estive envolvida com esportes; joguei vôlei, onde conheci meu marido… Jogávamos juntos na praia. Nunca foi por questões estéticas; sempre vi isso como esporte. Acredito que carrego essa memória física comigo”.
Nunca pensei que chegaria aos 82 anos assim. Outro dia estava refletindo sobre as Copas do Mundo futuras e pensava: ‘Em 2026 não estarei mais aqui para ver a Copa’. Mas aqui estou, graças a Deus. Na minha época, pessoas com 70 ou 75 anos já estavam se despedindo deste mundo.
Helô Pinheiro, a eterna Garota de Ipanema, aos 82 anos
Helô está casada há seis décadas com Fernando Abel Mendes Pinheiro, e acredita que o relacionamento é fundamental para sua longevidade. “Ter paciência no relacionamento faz toda a diferença. Celebramos 60 anos de casados agora… Fiz muitos sacrifícios, assim como ele… Casamentos terminam cedo quando há egoísmo envolvido. No nosso caso, sempre tive paciência e respeito por ele; ele foi um ótimo pai e marido. Ambos temos nossas falhas, mas precisamos relevar para manter a harmonia familiar”, explica.
Deste casamento nasceram os filhos: Ticiane Pinheiro, Kiki Pinheiro, Jô Pinheiro e Fernando Mendes Pinheiro Junior. “Tici formou-se em jornalismo e cinema; eu também sou formada em jornalismo e direito; uma das minhas filhas é psicóloga enquanto outra é publicitária… Cada uma seguiu seu caminho. Meu filho é especial e também é minha paixão”, conta.
“Houve momentos em que gostaria que certas situações tivessem tomado outros rumos por conta do meu filho… Por exemplo, estava fazendo novelas na Globo quando meu filho ficou doente; tive que me afastar. Foi muito doloroso para mim dedicar-me totalmente a ele. Às vezes penso que Deus me recompensa com mais tempo de vida por ter me afastado do trabalho para cuidar dele. Não sinto que perdi tempo cuidando dele; mas sair desse meio traz mudanças”, detalha.
A passagem breve da modelo por Vitória foi marcada pela lembrança afetiva: ela chegou à cidade na tarde da última terça-feira (26) e partiu na quinta-feira (28). Sua conexão com o Espírito Santo vem da avó materna, natural de Cachoeiro de Itapemirim. “Ela sempre compartilhou histórias sobre lá (Cachoeiro). Isso me deixa emocionada; tenho muitas memórias boas disso. Essa força feminina vem dela, da minha mãe, minha própria força e das minhas netas…”, reflete.
<p“Sinto saudades das histórias dela sobre Cachoeiro… Quando se mudou para o Rio após casar-se dizia: ‘Aqui não é Cachoeiro (risos)’. Minha mãe nasceu no Rio e nossa família sempre foi unida.” O carioca valoriza essa união familiar”, acrescenta.
Embora sua estadia na capital capixaba tenha sido breve, Helô concluiu que Tom Jobim e Vinícius de Moraes deveriam criar uma versão capixaba para uma das mais famosas bossas do mundo: “Eu também seria feliz sendo a Garota de Vitória”, brinca ao expressar seu amor pela cidade.
Permanecendo como Garota de Ipanema
Diferentemente do que muitos possam imaginar, Helô afirma que sua fama como musa dos grandes nomes da MPB nos anos 60 é ainda mais forte atualmente do que naquela época em que a música foi lançada. As letras melodiosas cantadas pela voz suave dessa geração musical fizeram com que ela percorresse o mundo mostrando sua beleza atemporal até hoje em 2026. Contudo, há seis décadas atrás ela acredita ter sido pouco valorizada pelo público geral.
<p“Ser a Garota de Ipanema naquela época era algo menor… A comunicação era bem diferente da atualidade. Hoje sou muito mais reconhecida e procurada do que naquela época. Antes havia uma distância maior entre nós; eu diria àquela jovem para ser mais esperta (risos)”, conclui.
Sobre ser a Garota de Vitória… “Certamente gostaria! Por quê não? Seria um grande privilégio; não se trata apenas da beleza externa. É sobre ser acolhida pelas pessoas – fui muito bem recebida aqui – sinto que as pessoas realmente gostaram de mim”, finaliza.


