A nova estratégia dos Estados Unidos em relação a determinados produtos brasileiros não coloca toda a agenda de exportação do Espírito Santo em um estado de alerta total. A abordagem é mais direcionada, o que exige uma análise mais cuidadosa. Produtos como café, pimenta, gengibre, mamão, celulose e minério estão em uma situação mais favorável. No entanto, rochas ornamentais, pescados, café solúvel e aço ainda enfrentam pressões significativas. O foco da questão se ampliou: não é apenas o aumento das tarifas que importa, mas também a vulnerabilidade específica de cada setor.
A proposta do Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR) para aplicar uma tarifa adicional de 25% em algumas importações brasileiras inclui exceções importantes. Essa abordagem reduz o impacto sobre produtos essenciais tanto para a economia americana quanto para o Espírito Santo. Contudo, essa lista não elimina os riscos; ela simplesmente altera o eixo das preocupações.
O setor de rochas naturais exemplifica essa situação claramente. Embora parte da pauta tenha recebido proteção, granitos, mármores e ardósias permanecem suscetíveis ao aumento tarifário.
Veja o risco do tarifaço para cada produto do ES:
Além disso, persiste uma camada adicional de incerteza. Além da proposta de tarifa adicional de 25%, os Estados Unidos também iniciaram discussões globais relativas ao trabalho forçado. Existe a possibilidade de uma cobrança extra de até 12,5% para países que não possuam regras suficientes para restringir esse tipo de importação, e o Brasil está incluído nessa lista.
No contexto do Espírito Santo, essa questão requer cautela, pois o impacto será determinado pelo enquadramento final por produto e código tarifário, além das possíveis exceções. Isso pode aumentar os riscos para setores que já estão em uma zona de incerteza quanto ao tarifaço, como rochas, pescados e café solúvel.
Findes prega diálogo sobre tarifaço
A Findes abordou a questão do tarifaço com a perspectiva correta ao chamar por um diálogo técnico e colaboração institucional. Um dado significativo no comunicado da entidade revela que no primeiro quadrimestre de 2026, o Espírito Santo exportou US$ 752,82 milhões (R$ 3,8 bilhões) para os Estados Unidos, representando 24,32% das exportações totais do estado.
Este não é um mercado que pode ser facilmente substituído no curto prazo. Quando um parceiro comercial fundamental muda as regras do jogo, a indústria capixaba precisa agir rapidamente para evitar perdas contratuais e impactos na margem e no emprego.
<p.O Sindiex adotou uma postura cautelosa e igualmente relevante. A entidade enfatiza que ainda não é viável avaliar o impacto real do novo tarifaço sem a confirmação oficial da medida e a divulgação dos produtos afetados. O comércio exterior opera com contratos, prazos de embarque e classificações fiscais que determinam o custo final no destino.
Preocupação com rochas
A nota emitida pela Centrorochas ilustra claramente por que esse setor gera tanta preocupação. A entidade destaca que os Estados Unidos são o principal destino das exportações brasileiras de rochas naturais e cerca de 45% da receita gerada pelo setor permanece potencialmente vulnerável ao tarifaço. Esse alerta é especialmente crítico para pequenas e médias empresas que dependem quase integralmente das vendas externas para manter suas operações e empregos.
Dessa forma, a nova rodada tarifária não cria um choque homogêneo; ela resulta em uma espécie de peneira econômica. Aqueles que se beneficiam das exceções têm um tempo extra; enquanto isso, os afetados pelo tarifaço entram em uma dura competição por preços justos e estabilidade no mercado americano. No caso do Espírito Santo, a maior preocupação reside nos setores com forte relevância regional que têm baixa capacidade de substituição e alta dependência dos EUA.
O maior risco recai sobre os produtos situados na zona cinzenta. É nesse espaço que rochas, pescados, café solúvel e aço necessitam de estratégias comerciais assertivas e pressão técnica. Embora o tarifaço tenha se tornado mais seletivo, ele ainda pode impactar severamente algumas cadeias produtivas que conectam o Espírito Santo ao mercado estadunidense.


