Trabalhadores de diversas nacionalidades, incluindo venezuelanos, cubanos, bolivianos e até tunisianos, estão se unindo ao setor de avicultura e suinocultura no Espírito Santo. Essa movimentação inicial pode ser uma solução para a escassez de mão de obra enfrentada pelas indústrias locais. Atualmente, cerca de 300 estrangeiros já estão empregados nesses setores, o que representa aproximadamente 1,5% dos 20 mil postos de trabalho diretos disponíveis no Estado. Esses dados abrangem 45% das granjas e indústrias relacionadas à produção de suínos, aves e ovos. Portanto, é possível que haja um número ainda maior de estrangeiros atuando na agricultura capixaba.
As informações provenientes da Associação dos Avicultores do Espírito Santo (Aves) e da Associação dos Suinocultores do Espírito Santo (Ases) elucidam um fenômeno discreto, mas crescente nas áreas rurais do Espírito Santo. Estrangeiros já estão desempenhando funções em granjas e agroindústrias na região.
Ainda que o total de trabalhadores estrangeiros possa parecer reduzido, seu impacto é significativo. Em algumas operações produtivas, esses profissionais representam até 20% da força de trabalho contratada. Isso indica que algumas empresas já dependem dessa mão de obra para manter suas atividades. Entre os trabalhadores estrangeiros empregados, os dados mostram que 82% são oriundos da Venezuela, 13% de Cuba, 2% da Bolívia e 1% da Tunísia. A busca por mão de obra se tornou uma estratégia prática para suprir a falta de trabalhadores locais.
Além disso, a análise revela que não é apenas a imigração internacional que contribui para o setor. Aproximadamente 8% dos trabalhadores na avicultura e suinocultura do Espírito Santo vieram de outros estados brasileiros. A Bahia é o estado com maior participação nesse movimento, fornecendo 26% da mão de obra interestadual. Os demais estados destacados são Minas Gerais (7%), Rio de Janeiro (4%), São Paulo (2,5%) e Pará (2,5%). No total, profissionais provenientes de 18 estados brasileiros exercem funções na cadeia produtiva de suínos, frangos e ovos no Espírito Santo.
Contribuição Estrangeira para a Renda no Interior
A migração laboral está desempenhando um papel crucial na manutenção de uma atividade econômica em expansão na região. O estudo realizado pela Aves e pela Ases inclui empresas que representam cerca de 45% das granjas e agroindústrias do setor. Isso evidencia como essas atividades econômicas sustentam a renda local e impulsionam cadeias produtivas como transporte, nutrição animal, frigorificação e embalagens.
A introdução de mão de obra estrangeira reflete uma mudança estrutural no mercado laboral capixaba. Tradicionalmente conhecido por exportar sua população para outras regiões do Brasil, o Espírito Santo agora inicia um processo oposto em setores que demandam grande quantidade de trabalho. Especialmente na agroindústria voltada para proteína animal, tanto os imigrantes quanto os trabalhadores provenientes de outros estados passaram a ser uma parte integral da economia local. Embora ainda não seja evidente para todos os setores do mercado, essa imigração pode se tornar uma solução vital para a falta de mão de obra no Estado.


