Esse movimento já é sentido no dia a dia das empresas, especialmente quando falamos da indústria do aço, um dos principais insumos da construção. Segundo Brendo Bremenkamp, diretor executivo da Casa do Serralheiro, é possível sentir o impacto no aumento no volume de orçamentos e maior fluxo de clientes.
A empresa capixaba que já está há mais de 15 anos, atende mais de 10 mil clientes por mês. O foco é fornecer materiais de aço, estruturas metálicas e ferragens de qualidade para serralheiros e pequenas indústrias.
Confira a entrevista completa com Brendo Bremenkamp, diretor executivo da Casa do Serralheiro
O Espírito Santo vive um ciclo forte de obras públicas e privadas. Como isso impacta o seu negócio?
Esse movimento é muito claro no dia a dia da empresa. A gente percebe um aumento consistente na demanda, com orçamentos chegando o tempo todo e clientes em diferentes perfis — desde pequenos construtores até grandes incorporadoras. Muitos relatam, inclusive, que estão vendendo unidades antes mesmo do início das obras, o que mostra a força do mercado.
Mesmo com juros elevados, há um volume significativo de investimento público e uma liquidez maior na economia. Além disso, programas como o Minha Casa Minha Vida e linhas subsidiadas da Caixa ajudam a sustentar o setor. Soma-se a isso o avanço das obras públicas, que estimulam o comércio, a infraestrutura e, consequentemente, a necessidade de novas construções.
Na prática, isso se traduz em mais movimento nas lojas, aumento nas vendas e maior urgência por parte dos clientes. O mercado está aquecido em todas as frentes, e isso ficou evidente ao longo de 2025, que foi um ano positivo. Para 2026, a expectativa é ainda melhor, com um cenário considerado saudável, com boa demanda e estoques equilibrados.
O crescimento é puxado por grandes obras ou também por pequenos investidores?
Ele acontece em todas as camadas da construção civil. A gente atende desde pequenas reformas, como ampliações residenciais, até grandes obras, como galpões logísticos e prédios de múltiplos pavimentos.
Existe uma participação importante dos pequenos investidores, que constroem para vender ou alugar, mas também há um avanço significativo de grandes empreendimentos. Além disso, o setor logístico tem ganhado força, pela posição estratégica do Espírito Santo, que conecta Sudeste e Nordeste e conta com incentivos fiscais relevantes.
O crescimento do e-commerce também aumentou a demanda por galpões, e as obras portuárias — especialmente em regiões como Aracruz e São Mateus — estão criando novas oportunidades. Isso gera um efeito em cadeia: mais infraestrutura, mais empresas e, consequentemente, mais necessidade de construção.
Qual é o papel do aço nesse cenário e o que deve mudar em 2026?
O aço é um insumo fundamental na construção civil. Historicamente, ele representa cerca de 20% do custo de uma obra. Nos últimos meses, esse percentual caiu para algo entre 11% e 12%, devido à entrada de aço chinês no Brasil a preços abaixo do custo de produção — um cenário de dumping.
Isso acabou beneficiando quem estava construindo, reduzindo artificialmente o custo das obras. No entanto, esse cenário está mudando. Com a aplicação de medidas antidumping, o preço do aço tende a subir de forma significativa, podendo praticamente dobrar em alguns casos.
Na prática, isso significa que o custo da construção civil vai aumentar. Para construtoras com estoque, isso pode ser positivo, pois valoriza os imóveis já prontos ou em fase de venda. Mas, para o consumidor final, o impacto é direto: imóveis mais caros.
Por isso, o momento atual ainda é uma janela de oportunidade para quem pretende comprar ou construir. Esse aumento não acontece de forma instantânea, mas começa a ser percebido rapidamente ao longo das próximas semanas e meses.
A empresa cresceu e hoje atende cerca de 10 mil clientes por mês. O que explica essa trajetória?
A empresa nasceu com um foco muito claro: atender bem um público que era pouco valorizado, que é o serralheiro e o pequeno profissional do aço. Identificamos que havia uma lacuna no mercado, tanto em atendimento quanto em agilidade.
Com o tempo, estruturamos a operação para ser mais flexível, rápida e adaptada às necessidades desse cliente. Isso gerou fidelização e abriu espaço para expansão. Hoje, além desse público, atendemos fortemente a construção civil, com um portfólio que vai desde a fundação até o acabamento.
Saímos de uma operação pequena, com seis funcionários, para uma estrutura com cerca de 300 colaboradores, unidades em diferentes cidades e mais de 10 mil clientes atendidos mensalmente. Esse crescimento é resultado de consistência, adaptação e foco no cliente.
O que ainda limita o crescimento da construção civil no Espírito Santo?
O principal gargalo hoje é a falta de moradia. Em regiões estratégicas, como Linhares, por exemplo, há dificuldade até para contratar funcionários, porque simplesmente não há onde essas pessoas morarem.
Isso cria um efeito limitador no crescimento econômico. Sem habitação, não há como expandir a força de trabalho, e sem isso, o desenvolvimento desacelera. Loteamentos ajudam, mas não resolvem sozinhos — é preciso construir mais.
O estado poderia avançar mais com políticas de incentivo à construção, especialmente com financiamento de obras e estímulos direcionados a regiões com maior demanda ou potencial logístico. Isso criaria um ciclo virtuoso: mais moradia, mais gente, mais consumo e mais crescimento.
Como você vê o futuro da construção civil e do seu negócio?
O cenário é bastante positivo. O Espírito Santo vem acumulando bons resultados em gestão pública e agora colhe frutos com obras de infraestrutura relevantes, que aumentam a competitividade do estado e atraem novos investimentos.
Isso deve ampliar a demanda por moradia e manter o setor aquecido por um bom tempo. Ainda temos espaço para crescer de forma sustentável.
No caso da empresa, o foco não é apenas atender mais obras, mas atender melhor. Queremos oferecer soluções mais completas, com agilidade, personalização e eficiência, ajudando nossos clientes a reduzir custos e aumentar resultados.
Também há um plano de expansão geográfica, principalmente para regiões como sul da Bahia e leste de Minas Gerais, aproveitando a proximidade logística. O objetivo é consolidar a empresa como uma parceira estratégica de quem constrói, em qualquer escala.


