“A tendência, no entanto, é que este seja um conflito de curta duração”. A frase é do professor e cientista político Heni Ozi Cukier, conhecido como Professor HOC. Ele participou do evento “Inovações e Tendências no Varejo”, no Senac em Vitória, que reuniu empresários e especialistas para discutir geopolítica, cenário econômico global e os reflexos na economia brasileira e capixaba.
Durante o encontro, o Professor HOC e o coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, analisaram como o conflito no Oriente Médio pode impactar o preço do petróleo, a inflação e a dinâmica da economia do Espírito Santo.
Conflito no Oriente Médio
Em entrevista ao Folha Vitória, HOC explicou que os impactos para o Brasil dependerão principalmente da duração da guerra e dos reflexos no preço do petróleo.
Segundo ele, caso o conflito se prolongue e provoque alta significativa da commodity, o país poderá enfrentar pressão inflacionária, com efeitos em cadeia sobre juros e atividade econômica.
Se o petróleo subir de forma significativa e por um período prolongado, podemos ter um problema inflacionário. Isso pode ocorrer em outros países e também no Brasil. Com inflação mais alta, há reflexos nos juros e, consequentemente, em toda a economia brasileira. Ou seja, o impacto existe, mas está diretamente ligado à intensidade e à duração do conflito.
Professor HOC, professor e cientista político
Fim do conflito
O professor avalia, no entanto, que a tendência é de um conflito de curta duração, possivelmente entre duas e três semanas, o que limitaria impactos mais profundos.
A tendência, no entanto, é que este seja um conflito de curta duração, algo em torno de duas ou três semanas, não muito mais do que isso. Nenhum dos lados tem capacidade militar para sustentar uma guerra prolongada. Além disso, não há um objetivo completamente claro e delimitado. Fala-se em destruir o programa nuclear iraniano, mas isso pode se tornar algo indefinido e sem fim.
Professor HOC, professor e cientista político
Portanto, para o professor, os efeitos econômicos mais relevantes para o Brasil dependerão, essencialmente, do comportamento do petróleo. Se o impacto for pontual, as consequências tendem a ser limitadas.
Caso contrário, podem afetar de forma mais intensa a inflação e a dinâmica econômica do país.
Impactos do conflito na economia capixaba
André Spalenza também destacou que o Espírito Santo não deve sofrer impacto direto relevante, já que o volume de comércio com países envolvidos no conflito é reduzido.
No caso do Irã, por exemplo, menos de 1% da pauta exportadora e importadora capixaba está ligada ao país.
Segundo ele, os efeitos tendem a ser indiretos, principalmente por meio do petróleo. O Irã é o quinto maior produtor mundial e está localizado em uma região estratégica, o Estreito de Hormuz, por onde passa cerca de 20% da produção global da commodity. Qualquer tensão na área pode pressionar os preços internacionais.
“Podemos sentir um impacto indireto, principalmente na questão do preço do petróleo. Se há um conflito ali, isso pode pressionar o valor dos combustíveis”, explicou.
O Espírito Santo é muito ligado à logística e ao transporte. Se o combustível sobe, o custo do transporte aumenta. Com isso, há pressão sobre os preços, tanto na exportação quanto na importação. Esse é um dos impactos indiretos mais imediatos.
André Spalenza, coordenador do Observatório do Comércio da Fecomércio-ES
Além disso, ele aponta que a instabilidade internacional pode afetar o câmbio.
“Quando falamos de conflito, falamos de incerteza. O mercado reage, o dólar tende a subir. Como o Espírito Santo importa mais do que exporta, um dólar elevado aumenta custos e pressiona ainda mais a economia local”, concluiu.


